Camilo e Izolda têm perfil que Lula não pode desperdiçar no Ministério

Os dois representam renovação com experiências exitosas na bagagem. Será um erro não aproveitá-los em funções vitais na equipe de Governo


Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Diante das circunstâncias políticas que se configuraram na disputa eleitoral, as trajetórias de Camilo Santana e Izolda Cela se encaixam à perfeição para compor a equipe do terceiro Governo de Lula.

Seria um desperdício não aproveitá-los em funções vitais no Ministério que será empossado na primeira semana de janeiro de 2023.

Experientes, reconhecidos como bons gestores e, atenção!, com perfil absolutamente compatível com o complexo quadro político que marcará a gestão de Lula. Camilo e Izolda são de natureza conciliadora. aglutinadores e dados ao diálogo.

O caso Izolda
A era Lula-Dilma possui uma imensa dívida com a educação do Brasil. Ou melhor, com a educação fundamental e média, a base de qualquer projeto de desenvolvimento do País.

Nas gestões dos dois, a grande aposta foi bancar a entrada dos estudantes em simulacros de universidades, de cunho privado, a preço de ouro, em cursos quase sempre de questionáveis qualidades, mas cujos resultados se tornaram um sucesso do ponto de vista não acadêmico, mas político.

No Ceará, Izolda foi o braço operacional que viabilizou o mais importante e exitoso projeto de educação no Brasil. Um projeto que começou ainda na década de 1990, em Sobral, e migrou para a amplitude do Estado dez anos depois. Não foi à toa que Izolda se tornou a vice de Camilo e depois a governadora do Ceará.

Izolda é a aposta correta caso Lula entenda que a política educacional do PT foi um rotundo fracasso. Porém, não há indicativos de que o futuro presidente reconhece assim. Tanto que no discurso da Avenida Paulista, noite da vitória, o presidente eleito mencionou a retomada de todas as ações que, no fim das contas, enchem os bolsos da iniciativa privada que montam arremedos de cursos superiores para alunos com formação fundamental e média muito deficientes.

O caso Camilo
O senador eleito tem a cara dos novos tempos que se impuseram com o resultado das eleições. Excelente negociador, forjado na mesa do diálogo, Camilo é o nome adequado para, por exemplo, a aticulação política em um contexto com Congresso mais à direita e govrnadores que se elegeram alinhados com o bolsonarismo.

Claro que a experiência como secretário de Estado nos oito anos de Cid Gomes e mais oito anos como governador, com avaliação muito positiva dos mandatos, o credencia para outros cargos. Porém, a complexidade da conjuntura política impõe um perfil como o de Camilo.

Pela trajetória e pelas suas características pessoais, Camilo é a renovação do petismo que casa com as necessidades prementes do momento. No caso, a tarefa de fazer valer “a civilidade e a reverência às normas para reger o bom funcionamento da sociedade” (a frase é do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa).

 

 

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.