Calejado e influente na decisiva RMF, Acilon trabalha para manter controle do PL

Ruim de voto no Ceará, Bolsonaro entra no PL e bolsonaristas querem o comando do partido. "Aceitamos a entrada de todos, mas sem imposições. Tudo terá que ser bem discutido", diz o prefeito do Eusébio.


Acilon Gonçalves e seu filho, Bruno, que é prefeito da histórica Aquiraz: o grupo tem forte influência política e eleitoral no estratégico cinturão da Região Metropolitana de Fortaleza.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

2002 está chegando, as circunstâncias vão mudando e o jogo da política ganha novos movimentos. A filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL criou embaraços de grande monta no Ceará. Aqui, o partido está sob a égide de Acilon Gonçalves, ex-presidente da Câmara de Fortaleza, ex-deputado estadual e atualmente prefeito de Eusébio.

Historicamente, o prefeito tem permanecido como aliado do grupo político comandado por Ciro e Cid Gomes. Ao longo das últimas eleições, Acilon ganhou significativa musculatura e se transformou em uma força política de porte médio, portanto, com papel estratégico na disputa de 2022.

Montado no PL, o prefeito de Eusébio (exerce o quarto mandato) é hoje um importante líder político, com poder de comando até em outras siglas, exercendo forte influência em diversas prefeituras, principalmente na Região Metropolitana de Fortaleza, que é um decisivo campo de batalha eleitoral de 2022.

Por óbvio, a turma de Bolsonaro chega se propondo a controlar o partido impondo-se sobre a atual liderança local do PL. Além de abrigar a candidatura à reeleição do presidente, a ideia é apoiar o deputado federal Capitão Wagner, hoje no Pros, para o Governo do Ceará. Tanto que não deve ser desprezada a possibilidade de Wagner se filiar ao PL.

Experiente e paciente, Acilon segue no partido na expectativa de que terá o que sempre teve: liberdade para conduzir as alianças locais. Para tanto, como diz a interlocutores, vai “jogar parado” até o limite das possibilidades. E entre elas está até lançar-se candidato ao Governo caso a sigla defina-se por candidatura própria.

Muito embora o presidente nacional do PL, Waldemar Costa Neto, tenha, até aqui, garantido a posição de Acilon no comando do PL do Ceará, a possível imposição, oriunda do comando nacional, do apoio do prefeito e seu grupo a Bolsonaro cria uma situação, no mínimo, desconfortável. Por isso, tais circunstâncias podem até fazer com que Acilon deixe o PL e se abrigue em outro partido.

“Vou trabalhar para ficar no PL para poder votar e se aliar com quem quiser no Ceará” afirma o prefeito. “Aceitamos a entrada de todos (os bolsonaristas), mas sem imposições. Tudo terá que ser bem discutido”, relata.

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