BNB apronta edital para credenciamento de novos operadores do Crediamigo

Há 18 anos, o serviço é monopólio absoluto de uma ONG, o Inec, apontada como braço do Partido dos Trabalhadores. O último contrato entre o BNB e o Inec alcança a impressionante sifra de quase um bilhão de reais.


O Crediamigo atender a pequenos empreendedores urbanos.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Na semana que vem, após superados os procedimentos protocolares e obrigatórios, o Banco do Nordeste vai publicar o edital público para credenciamento das empesas interessadas em operar o Crediamigo. Há mais de 120 instituições aptas junto ao Ministério da Economia para realizar esse tipo de serviço.

Há 18 anos, o serviço é um monopólio absoluto de uma ONG, o Inec, que o mercado político trata como cntrolada por militantes ligados ao Partido dos Trabalhadores. O último contrato entre o BNB e o Inec alcança a impressionante sifra de quase um bilhão de reais.

O primeiro contrato do Inec com o BNB  foi firmado em 2003, primeiro ano de mandato do então presidente Luis Inácio Lula da Silva. Somente o Crediamigo mantém um caixa anual de R$ 12 bilhões disponíveis apara atender a demanda por empréstimos de milhões de pequenos empreendedores urbanos em mais de duas mil cidades da área geográfica coberta pelo Banco.

Focus apurou que a direção do Inec foi formalmente e pessoalmente comunicada pelo próprio novo presidente do BNB, Anderson Possa, em uma reunião ocorrida na quarta-feira passada.

“O presidente do Banco está fazendo tudo certo. Tudo com a velocidade e também segurança jurídica que se impõem em circunstâncias como essa. Não é fácil fazer o que o Anderson está fazendo em uma estrutura que se mostrava profundamente enraizada e politicamente manipulada”, diz uma fonte do mercado ouvida pelo Focus.

Outro detalhe: os trâmites precisam ser juridicamente perfeitos e com a observação de todos os prazos. Há cláusulas que, se desrespeitadas, podem gerar um grande prejuízo para o Banco. Além disso, os procedimentos são naturalemnte sigilosos em função das circunstâncias de uma instituição de capital aberto e, portanto, sob o olhar e vigilância constantes da Comissão de Valores Mobiliários, a CVM.

Um segundo interlocutor do Focus argumenta que o credenciamento de diversas empresas em substituição ao monopólio do Inec não deve ser visto como uma demanda política, mas sim uma obrigação de quem entende a necessidade urgente de modernizar as operação do BNB. “O Banco tende a ficar para trás com a concorrência avassaladora das Fintechs, que são rápidas e de baixo custo. A velha e boa concorrência entre os operadores do microcrédito é fundamental”.

 

 

 

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.