Blog do Resenhador

por Leopoldo Cavalcante
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Eterno prefeito Eduardo Paes, o maior carioca vivo.


Eduardo Paes é um cara único. Desde que perdeu as eleições para ser governador do Rio de Janeiro pro Wilson Witzel (PSC), o ex-prefeito aparece na mídia de vez em quando por motivos inusitados.

Meu mês de abril começou mais alegre com a seguinte manchete: “Eduardo Paes cai no samba, canta e ‘faz bico’ de garçom em bar, no Rio; assista“.

Na matéria, fotos de internautas bêbados com o eterno prefeito também bêbado. E tem mais: um vídeo dele cantando aos berros um axé baiano para Maricá (que ele xingou numa conversa privado com o Lula) e batucando na mesa de madeira, enquanto um flamenguista e um vascaíno conversam e se abraçam. O prefeito une tribos.

Pra mim, falar do Rio de Janeiro é falar do 2º PIB do país, da casa da bossa nova, da história do samba, da minha experiência ruim com o carnaval carioca e de Eduardo Paes. Não nessa ordem.

Hoje, li a seguinte manchete: “Eduardo Paes lança playlist de samba em plataforma digital“. Abri a notícia, coloquei a playlist pra tocar e estou há uma hora ao som de samba num dia que tinha tudo para ser estressante.

Explico: estão construindo um prédio ao lado do meu. Ou seja, furadeiras o dia inteiro. Ao meu redor, a guerra está sendo entre as dissonantes máquinas de escavação e a cadência divina de um cavaco. Obrigado, prefeito. Pelo samba, não pela administração do Rio.

Não me importa se ele foi um mal prefeito. Nem que ele seja corrupto – ou não. Ou imoral. Tanto faz. No final do dia, ele é divertido.

E faz playlists espetaculares no Spotify.

Nisso somos parecidos, modéstia à parte.