Atlas/Intel: CEO Andrei Roman crava probabilidade de 70% de vitória de Lula

A AtlasIntel realizou pesquisas no Ceará em parceria com o Focus. Foi o único instituto a indicar a tendência de vitória de Elmano de Freitas no 1º turno. Deu no que deu.


CEO do instituto AtlasIntel, Andrei Roman. Foto: Divulgação

Equipe Focus
focus@focus.jor.br 

O CEO do instituto AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que Lula tem 70% de probabilidade de vencer o segundo turno. Bolsonaro vem com 30%.

O instituto foi reconhecido por especialistas americanos como a empresa que mais acertou resultados nas eleições presidenciais dos EUA. No Brasil, previu 50,3% para Lula e 41,1% para Bolsonaro no primeiro turno, sob a margem de erro de 1%. O resultado foi de 48,43% para o petista e 43,2% para o chefe do Executivo.

Vale lembrar que o AtlasIntel divulgou uma série de pesquisas com exclusividade no Focus. Cravou inclusive a vitória de Elmano de Freitas no Ceará no 1º turno.

Veja abaixo trechos da entrevista de Roman ao jornalista Guilherme Amado, do site Metrópoles.

“Entre todos os institutos, o AtlasIntel teve o menor desvio do resultado, o chamado RMSE, mas, ainda assim, também errou, porque o resultado registrado pelo instituto em 1º de outubro foi fora da margem de erro de um ponto. A que você atribui esse erro?

Na nossa pesquisa, Lula foi superestimado em dois pontos, e Bolsonaro, em dois pontos; os demais estavam dentro ou perto da margem de erro. Do ponto de vista técnico, a pesquisa errou, porque os resultados dos dois primeiros estavam fora da margem de erro. Ainda assim, fomos a pesquisa que chegou mais perto. Houve uma subestimação do Bolsonaro em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, o que impactou a pesquisa nacional. Isso aconteceu porque uma desmobilização do eleitorado mais moderado, que, comparecendo, teria votado mais em Lula. Esse eleitorado simplesmente não apareceu. Já o eleitorado de Bolsonaro e o lulismo mais duro foi votar. O contexto sugere que pode haver uma contraonda no segundo turno, com o eleitorado mais moderado indo votar, o que tende a ser positivo para o Lula.

O Atlas foi o único a acertar na Bahia, no Ceará, no Senado pelo Rio Grande do Sul, por São Paulo e pelo Rio de Janeiro, mas também houve resultados estaduais errados. Por quê?

Das nove pesquisas estaduais que fizemos, acertamos o resultado em seis: Ceará, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, além de termos sido a pesquisa que chegou mais perto do resultado final nessas seis praças. Nas outras três, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, erramos. Em São Paulo, houve um movimento de última hora de eleitores do Garcia indo para o Tarcísio, e a razão é que esse eleitorado já previa que o Garcia seria derrotado no primeiro turno e, para evitar que o Haddad chegasse ao segundo turno muito forte, decidiram já votar no Tarcísio para deixá-lo forte na disputa. No Rio, erramos na de governador. A penetração do Cláudio Castro no interior do estado foi forte, com uma nítida fraqueza de Freixo para estruturar uma campanha regional. A força do voto da máquina pode ter feito a diferença na reta final, mas pode ter havido uma subestimação nossa da força do Castro. No Rio Grande do Sul, acreditamos que muitos eleitores não conheciam Pretto e, no dia da eleição, votaram no 13, o que também não captamos.

Qual a probabilidade com que o AtlasIntel trabalha para cada lado?

Considero que há 70% de chance de o Lula vencer, e 30% de ser o Bolsonaro.

Se a forte abstenção que houve no primeiro turno, de 33 milhões de pessoas, for menor no segundo turno, quem é favorecido por isso?

Preponderantemente ajuda mais o Lula do que o Bolsonaro, porque o eleitorado do Bolsonaro é mais mobilizado do que o do Lula. Se esse eleitor sair de casa no segundo turno, tende a votar mais no Lula do que no Bolsonaro.

O controle por renda que o AtlasIntel faz na amostragem, diferentemente de outros institutos, pode ter sido a razão de ter chegado mais perto do resultado?

A Atlas sempre mostrou um nível muito acima para o Bolsonaro do que os demais, e acabou sendo o que aconteceu. O Datafolha de dezembro de 2021 mostrava Bolsonaro com 22% e nós mostrávamos 30%. Atribuímos esse resultado, entre outros fatores, ao controle por renda, sim.

Interlocutores petistas dizem que a estratégia será focar São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Está certa?

Sim, totalmente certa. E, para o Bolsonaro, deveria ser a mesma coisa. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o Lula pode conseguir resultados melhores se mobilizar melhor seu eleitorado para sair de casa. Em Minas Gerais é diferente, porque há o Zema. O governador eleito fazer campanha por Bolsonaro é algo muito perigoso para Lula. O eleitorado mineiro é historicamente volátil e de comportamento difícil de antecipar. Em várias eleições, votou para governador em um partido e para presidente em outro. É um estado que está na fronteira das regiões Nordeste com estados do Sudeste, o que faz com que haja uma parte mais parecida com o Nordeste, outra com São Paulo, outra com Rio de Janeiro e Espírito Santo. Há todos os incentivos para o Zema fazer muita campanha pelo Bolsonaro, por convicção e por sentido político, porque acaba sendo uma pré-campanha para a Presidência em 2026. Isso, repito, é muito perigoso para o Lula.

Bolsonaro acerta ao reforçar o auxílio para mulheres, com um possível 13º salário?

Focar mais os temas que são caros ao eleitorado que o rejeita mais, como os mais pobres e as mulheres, pode surtir pouco efeito. Os movimentos eleitorais mais interessantes ao Bolsonaro foram entre os homens, porque ele conseguiu colar o discurso anticorrupção, que é algo que afeta mais os homens e o eleitorado que ganha acima de três salários mínimos.

Afinal, houve voto envergonhado? Em quem?

Discordo da hipótese do voto envergonhado em Lula, mas claramente houve voto envergonhado em Bolsonaro e tínhamos na Atlas elementos para prever isso. A diferença menor entre Lula e Bolsonaro na nossa pesquisa, na comparação com outros institutos, apontava que talvez a interação com a máquina, ao responder nossa pesquisa, estava fazendo este voto aparecer nos nossos resultados – e não nos outros, em que a interação era humana.”

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