As organizações são seres coletivos porque nascem da composição das pessoas


Yunare Marinho Targino é Gerente de Processos Industriais Corporativo no Grupo M.Dias Branco, Fortaleza – CE. Cidadão Luso-Brasileiro é Graduado em Engenharia Mecânica, UNIFOR – CE. Pós-Graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho, Universidade Christus – CE, Pós-graduado em Psicologia Transpessoal pelo Instituto de Pesquisas e Estudos da Consciência e Faculdade Porto das Monções

Por Yunare Marinho Targino
Post Convidado

Num processo de mudança consciente, o nível de identidade das organizações precisa ser revisto e às vezes reconstruído por seus dirigentes. Para tanto é fundamental que a visão, os valores e a missão de seus dirigentes sejam claramente definidos, pois referem-se à qualidade de pensar do grupo dirigente, as motivações desse grupo se manifestam na esfera do sentir, por fim, as ações da organização nascem do querer desse mesmo grupo.

Dentro de um processo de mudança nas organizações, esses potenciais – pensar, sentir e querer – precisam caminhar de maneira equilibrada para atingir o sucesso e a prosperidade. O homem moderno, tanto na vida política, pessoal, como na vida econômica, está esquecendo que sempre está na presença de verdadeiros organismos vivos. Para resolver seus problemas nos diversos setores da vida não basta aplicar conhecimentos puramente tecnológicos e intelectuais. Estamos gastando muito tempo e dinheiro para resolver problemas econômicos e sociais, sem obter grandes resultados. Por quê? O homem não é apenas um ser econômico, político ou social, mas acima de tudo um ser anímico e espiritual.

Assim, a inserção da espiritualidade e seu desenvolvimento nas organizações empresariais pode trazer vantagens significativas na sua dinâmica de funcionamento, pois pode despertar e agregar novos valores, elevando os níveis de consciência das pessoas e dos grupos. Integrar a espiritualidade nas organizações, com uma abordagem transpessoal (trans+passar = além do eu, o ser coletivo), facilita o entendimento e a percepção da realidade socioeconômica em que se encontram facilitando a mudança ou a ressignificação de um paradigma muito antigo, utilizado ainda por muitos líderes e dirigentes de organizações empresariais, que diz: “O segredo é a alma do negócio”. O significado da palavra “segredo”, é o seguinte: “aquilo que a ninguém deve ser revelado; o que é secreto, sigiloso; o que se oculta à vista e ao conhecimento”. Já o significado da palavra “alma” é o seguinte: “princípio vital; vida”.

Segundo esta visão, as organizações empresariais não devem deixar todas as coisas às claras o tempo todo, pois no mercado existem concorrentes que podem ficar sabendo de algo importante e tentar obter aquilo antes, podem colocar tropeços para os negócios. Isto quer dizer que manter o segredo nos negócios empresariais, ou seja, não revelar nada a ninguém sobre os projetos, ideias e objetivos maiores que norteiam as organizações, é fundamental para o sucesso individual das mesmas. A maioria das organizações que ainda trabalha com este paradigma do segredo como a alma do negócio e da retenção da informação como forma de se manter o poder, não respeitando o comportamento construtivo que está ligado à cooperação e à liberdade de pensamento. Portanto, propomos a ressignificação do paradigma: “o segredo é a alma do negócio” para: “a alma é o segredo do negócio”.

A espiritualidade inserida nas organizações empresariais é um conjunto de valores construtivos, morais e de princípios norteadores da conduta humana, é a vida ou a alma da organização. Desenvolvendo e ampliando os comportamentos construtivos da cooperação, compreensão, confiança, reflexão e finalmente da harmonia elas irão se aproximar cada vez mais de sua unidade fundamental e com isso obter maior produtividade e qualidade. Sendo assim, por trabalharem a partir de uma ética elevada e atitudes fundamentadas na verdade e na transparência nas relações com outras empresas, serão gradativamente reconhecidas e consideradas organizações holísticas, transpessoais e com fortes perspectivas de ganhar a confiança do mercado. A mudança de paradigma da empresa velha tradicional para a empresa nova espiritualizada que inserindo a espiritualidade na sua estrutura organizacional, consegue mudar profundamente a sua filosofia de vida organizacional.

Existe uma profunda relação e analogia entre o ser humano e a organização empresarial, trazendo a visão espiritual do ser humano estudada na Antroposofia e a sua relação com a visão holística da organização empresarial, os centros energéticos que atuam no ser humano e o sistema do ser coletivo. Existe a relação entre os indivíduos e as organizações, bem como a relação de saúde – doença e crises existenciais estudadas. E finalmente, as fases do desenvolvimento do ser humano e sua analogia com a organização empresarial.

O relacionamento com harmonia é o caminho para atingir a vida espiritual e o alimento para manter a motivação e atingir objetivos devendo fazer parte dos planos estratégicos das organizações, dando liberdade de expressão para ideias e pensamentos, sendo elemento transformador íntimo das emoções, da maneira de ser, de pensar e de agir dentro da prática da ética e do bem.

As organizações que são espiritualizadas vêm adotando posturas ligadas a valores, tais como a paz interior, a verdade, o respeito e a honestidade, a busca por significado, equilíbrio, humanização e maior integração com a sociedade. Com essas posturas, a espiritualidade nas organizações – ou seja, a valorização da ética e da humanização nos negócios – implica maior vantagem em termos de qualidade para a realização de novos negócios.

Inserir a espiritualidade nas organizações sociais e empresariais significa contribuir para devolver ao trabalho humano sua dignidade e à natureza seu caráter sagrado. Na medida em que espiritualizar uma empresa significar uma preocupação real com a utilização dos recursos naturais de maneira sustentável, a necessidade de estimular os colaboradores a desenvolverem-se em busca do homem integral  e levar a empresa a funcionar com base na ética, no respeito e na honestidade, estaremos com isso garantindo a preservação da vida no planeta Terra.

Pensamos que esse argumento deveria ser suficiente para as empresas se interessarem em buscar se espiritualizar, pois se seguirmos o modelo predominante, já é possível verificar a grande destruição que está em andamento em nosso planeta, colocando em risco a nossa sobrevivência enquanto humanidade, se assim continuarmos.

Concluimos que inserir o ciclo da dinâmica interativa e integrativa no processo de aprendizagem, possibilita a transformação de padrões, sentimentos e comportamentos das pessoas das organizações empresariais. Se essas organizações desenvolverem e mantiverem o conteúdo espiritual, mobilizando o nível de identidade, fazendo com que as mudanças sejam feitas de maneira natural, integrando o pensar, o sentir e o querer das individualidades que as compõem, estarão aptas para criar melhores condições sociais e proporcionar felicidade e bem-estar às pessoas que são suas cocriadoras, a seus clientes, fornecedores, acionistas, à sociedade, ao planeta e ao futuro da humanidade, isso simultaneamente, à obtenção de resultados econômicos e financeiros crescentes e autossustentados.