Arthur Lira foi chamado por Cid de achacador, chantagista e projeto de Eduardo Cunha

"Eduardo Cunha original está preso, mas está solto o líder do PP, que se chama Arthur Lira, que é um achacador, uma pessoa que, no seu dia a dia, a prática é toda voltada para a chantagem".


Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Arthur Lira (PP-AL), presidente eleito da Câmara dos Deputados, já foi duramente confrontado por Cid Gomes (PDT). Foi em outubro de 2019, quando o Senado articulava votar o formato de uso dos recursos oriundos do pré-sal. Cid carimbou Lira da seguinte forma: “Achacador” e “projeto do futuro Eduardo Cunha brasileiro”.

“O [atual] presidente da Câmara está se transformando numa presa de um grupo de líderes liderado por aquele que, podem escrever o que estou dizendo, é o projeto do futuro Eduardo Cunha brasileiro. Eduardo Cunha original está preso, mas está solto o líder do PP, que se chama Arthur Lira, que é um achacador, uma pessoa que no seu dia a dia a sua prática é toda voltada para a chantagem, para a criação de dificuldades para encontrar propostas de solução”.

“Setores da Câmara, que têm à frente o deputado Arthur Lira, já precificaram o achaque. O achaque custa 5% dos valores dos royalties. Eles estão querendo tirar 2,5% dos municípios, 2,5% dos estados e dar para o quarto ente federativo brasileiro: tem a União, os estados, os municípios e agora essa bancada de achacadores da Câmara dos Deputados”.

Na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, o PDT fechou questão em apoio à candidatura do deputado federal Baleia Rossi.

Veja um trecho de uma entrevista do senador ao Estadão: “Há um movimento na Câmara que, para mim, o líder disso é esse deputado Arthur Lira, que é a mesma sistemática do Eduardo Cunha, sem tirar nem pôr. O cara vai, cria dificuldade para conseguir um benefício. E esse benefício está precificado, eles deram nome: é 5% do bônus de assinatura, retirado de Estados, ou de Estados e municípios, para dar ao quarto ente federativo, que são essas figuras. Meu lado de briga é esse. Meu lado de paz é fazer uma chamada à racionalidade de que há uma agenda da Câmara que o Senado tem dado toda atenção e há uma agenda do Senado. A Câmara precisa respeitar isso”.

Focus explica: relator no Senado da PEC que definia os critérios para distribuição do dinheiro do megaleilão de petróleo, Cid Gomes optou pelas mesmas regras estabelecidas nos fundos de participação para que o dinheiro chegue a estados e municípios.

O problema é que uma articulação nada santa oriunda dos líderes da Câmara, que são fortemente influenciados por Lira, buscou destinar aos municípios uma fatia maior do bolo, que seria retirada dos estados (ou dos dois entes). Só que esses recursos seriam destinados via emenda parlamentar. Entenderam a jogada? Sem critérios claros e objetivos, o mau cheiro se espalhou. Mas a coisa não vingou.

Lira é, depois de Rodrigo Maia, o mais influente dos deputados federais. Passeia pela Casa com a mesma desenvoltura que caracterizou a trajetória do ex-deputado Eduardo Cunha. O que é importante na Casa e, portanto, na República, passa pelo seu crivo. Sua articulação se impõe em meio à bancadas majoritariamente inexperientes eleitas em 2018.

Mas, quem é Arthur Lira? O homem foi vereador de Maceió, deputado estadual de Alagoas e está agora em seu terceiro mandato federal. Filho do ex-senador Benedito de Lira, é da elite política e econômica de Alagoas.

Logo que chegou a Brasília em 2011, virou uma espécie de afilhado do então todo poderoso Eduardo Cunha, a quem Cid Gomes, de dedo em riste, usou o mesmo termo (“achacador”) para qualificar. Pouco tempo depois, Cunha caiu em desgraça, foi engolido pela Lava Jato e está preso.

Não é surpresa, Arthur Lira tem uma, digamos, ficha corrida na política. O alagoano já foi alvo de operações da Polícia Federal, já foi preso por obstrução da Justiça, já foi enquadrado pela Lei Maria da Penha, já foi afastado, por decisão judicial, do cargo de deputado estadual, já teve seus bens bloqueado e já foi condenado por improbidade administrativa. Uma beleza, não é?

Cid certamente sabia aonde estava pisando. Na época, sua fala deu a visibilidade que Lira não quer e não gosta. A partir da fala de Cid, o mundo da política voltou seus olhos para o alagoano, que gosta de trabalhar com discrição. Quem faz o tipo de articulação que o caracteriza, não é dado a holofotes. O senador jogou as luzes em cima do deputado, que se obrigou a dar uma resposta e se expor.

Lira até ameaçou processar Cid Gomes. Porém, não há notícias a respeito.

Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.