Aposta Focus: Elmano é o candidato da aliança do PT

A opção, que deve ser confirmada no encontro petista, não encerra as conversas. O PT vai levar o nome, que tem postura ampla, para outros parceiros, também amplos.


Elmano com Camilo: uma relação de muita confiança construída nos últimos anos.

Por Fábio Campos

Uma série de conversas e articulações nos últimos dias levou o PT a concretizar a aposta no nome de Elmano de Freitas, deputado estadual do partido, como o candidato a governador do Ceará numa aliança que tende a juntar o MDB, o PP e vários outros partidos, incluindo os do campo da esquerda, como o PC do B.

Pelo que o Focus apurou, Elmano é a alternativa que concilia uma série de circunstâncias internas ao partido, incluindo o aval da deputada federal Luizianne Lins, o nome do PT melhor posicionado considerando diversos indicadores das pesquisas.

No fim das contas, aos poucos, conversa a conversa, a opção convergiu para Elmano, político lançado no mercado eleitoral pela própria Luizianne, em 2012, na sua sucessão da Prefeitura de Fortaleza. Elmano saiu na frente no 1º turno, mas  perdeu na reta final do segundo turno contra o então presidente da Assembleia, Roberto Cláudio, na época do PSB.

No debate interno, a opção por Elmano contemplou os interesses ligados a José Guimarães, o mais influente na máquina partidária, e ao ex-governador Camilo Santana, a grande força emergente no PT.

A convergência para Elmano, confirmada em primeira mão pelo Focus, não é uma surpresa. O deputado já vinha sendo citado internamente como uma das opções. Notava-se que não havia resistências de grande monta a essa possibilidade.

Um dos eixos principais para que a opção Elmano se firmasse no PT foi o ex-governador Camilo Santana. Nos oitos anos de Camilo no Abolição, Elmano foi um interlocutor e articulador de confiança do governador que havia chegado ao cargo na eleição de 2014 pela indicação de um não-petista, o agora senador Cid Gomes.

Elmano, em conversa de orelha com José Guimarães, vinha sendo um dos centros aglutinadores das conversas dos petistas.

Muito embora outros potenciais e até mais vistosos nomes do PT aparecessem nas articulações e nas simulações em situação promissora, a opção por Elmano se concretizou pela capacidade aglutinadora do deputado.

Pelo que Focus apurou, a opção Elmano não é para fazer figuração na disputa eleitoral, como se especulou durante dias. Tanto que Lula foi ouvido e deu a palavra final.

O objetivo é colar à candidatura do deputado ao projeto nacional petista, à candidatura de Lula e à trajetória dos principais nomes do partido no Ceara, sem deixar de contemplar aliados como o MDB e o PP.

Hoje, domingo, as questões aqui colocadas vão se oficializar no âmbito do PT e de seus aliados.

A decisão petista por Elmano não encerra a questão. Já no decorrer do processo de escolha o PT abriu um heterodoxo leque de conversas. “Sim! Da forma mais ampla possível “, disse uma fonte.

Significa que o PT e seus aliados vão se sentar com outras siglas. Não descartem conversas com Domingos Filho, do PSD. Não descartem o PSB, que vai ser apoiado pelo petismo para o Governo de Pernambuco por decisão de Lula.

Não descartem qualquer outro partido. Até os mais inusitados. Por exemplo: o PSDB de Tasso Jereissati se mostrou disponível diante dos convites de Camilo Santana para conversar.

Não foi à toa que a sigla não declarou apoio à Roberto Cláudio. Portanto, com um nome com as características de Elmano, o PSDB é um partido a ser procurado (e já foi) pelo PT.

A condução de Camilo leva a isso. O ex-governador não é do tipo que deixa grandes arestas. É um conciliador nato. Tanto que praticamente não teve oposição ao seu Governo.

No mais, compõe esse caldo a linha adotada por Lula, que trouxe para seu palanque Geraldo Alckmin. A adesão do ex-tucano conhecido por sua leveza, um velho aliado de Tasso, intima o PT do Ceará a percorrer a mesma trilha.

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Fábio Campos

Jornalista graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), foi repórter de política e articulista do O Povo, o mais tradicional veículo de jornalismo impresso do Ceará, onde editou a Coluna Política por 14 anos (1996-2010) e a Coluna Fábio Campos por sete anos (2010-2017). Também foi editorialista do mesmo veículo entre 2013 e 2017. Concomitantemente às funções no jornal, editou o Anuário do Ceará por 15 anos, modernizando o conteúdo e o projeto gráfico da prestigiada publicação. Apresentou o programa Jogo Político na TV O Povo por 12 anos, ancorou o programa Contraponto na TV Cidade (Record), foi comentarista de política na TV Jangadeiro (SBT) e na rádio O Povo/CBN. Em agosto de 2017 iniciou a startup Focus.jor.