Após fechar acordo com militares, Governo do Ceará tem reajuste dos professores pela frente

Para Élcio Batista, o Governo "foi no limite da responsabilidade fiscal", enquanto Camilo foi às redes sociais confirmar o acordo e dizer que havia autorizado a nova tabela de reestruturação da carreira policial no Ceará.


Camilo Santana e o secretário Élcio Batista: o desafio é manter as contas públicas bem ajustadas.

Equipe Focus
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O acordo entre o Palácio da Abolição e os representantes dos policiais e bombeiros militares terá um impacto de meio bilhão de reais nas contas públicas. Na ponta do lápis, o acerto entre as partes é em torno de R$ 150 milhões superior ao inicialmente proposto pelo Governo aos militares, cujos representantes ameaçaram fazer greve (ilegal) caso a proposta não fosse satisfatória para a categoria.

Focus apurou que os negociadores foram ao limite das possibilidades para se chegar ao acordo. A saída do Governo foi, entre outras medidas, incorporar ao salário dos militares o programa de metas, as gratificações por transferências e horas extras. Ou seja, os vencimentos foram recheados com valores que normalmente seriam eventuais.

As negociações foram longas, intensas e sempre permeadas por fortes pressões. Presente nas reuniões, o deputado federal Capitão Wagner (PROS) tratou a resultante como uma “vitória da categoria”. “A mobilização [dos policiais e familiares] feita foi muito grande e a gente precisava mostrar para a sociedade que precisávamos chegar a um avanço” disse.

A capacidade e a disposição para negociar é uma característica do Governo Camilo Santana. Porém, os limites das contas públicas, com vários estados em situação falimentar, obrigou o Governo a entrar nas negociações sempre de olho nos números financeiros do Estado.

Da parte do Governo, o chefe da Casa Civil, Elcio Batista, foi o negociador porta-voz que deu as explicações acerca do acordo. Em conversa com o Focus, o secretário disse que o Governo “foi no limite da responsabilidade fiscal”.

Acaba uma negociação, entra-se em outra. Agora, o Governo enfrentará outra categoria bem organizada e com capacidade de mobilização: a dos professores.

Logo após fechado o acordo, Camilo Santana postou em suas redes sociais seu ponto de vista acerca do entendimento. Vejam: “Após algumas reuniões entre representantes do Governo do Estado, associações de policiais, deputados e MP, autorizei a nova tabela de reestruturação da carreira policial no Ceará. Tudo foi feito com muito diálogo, como sempre agi desde que assumi o Governo. No entendimento, o número de parcelas do incremento salarial será de três vezes, aumentamos o percentual da primeira parcela (40%) e incorporamos parte das gratificações variáveis ao fixo, conforme anseio da categoria. Continuo firme no propósito de melhorar cada vez mais a Segurança Pública do Ceará, através da valorização profissional e mais investimentos em equipamentos e tecnologia, para que os irmãos e irmãs cearenses tenham um estado cada vez mais seguro”.