53% dos estudantes de Fortaleza no último Enem querem trabalhar no setor público

A maioria dos jovens que fez o último Enem, geralmente com idade entre 17 e 21 anos, mantém profundo apego à cultura de que a estrutura estatal é o melhor abrigo profissional.


Imagem: Divulgação.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Na semana em que o Ministério da Educação vai divulgar os resultados da última prova do Enem, Focus apresenta com exclusividade, em uma série de textos, os resultados de uma pesquisa que levantou vários pontos de vista dos estudantes que fizeram a prova em Fortaleza. A consulta foi realizada pelo instituto RadarNE que faz  levantamentos de dados sobre opinião pública, política, mercado, comunicação e mídia. A empresa é comandada pelo sociólogo Maurício Garcia, que por mais de duas décadas prestou serviços ao Ibope.

Acerca de uma questão centrada na perspectiva de futuro, a maioria dos jovens que fez o último Enem, geralmente com idade entre 17 e 21 anos, mantém um profundo apego à velha cultura de que a estrutura estatal é o melhor abrigo profissional. Nada mais, nada menos do que 53% dos pesquisados disseram que seu projeto de vida é trabalhar no setor público.

Na outra ponta, somente 17% dos pesquisados afirmaram a determinação de que trabalhar na iniciativa iniciativa privada é seu projeto profissional. Em meio a esses dois polos, 28% dos estudantes que responderam à pesquisa do Radar NE disseram que seus projetos de vida profissional se relacionam com o conceito de “profissional liberal”. Nesse caso, o Estado também pode ser o vínculo empregatício.

O resultado não deixa de ser surpreendente quando se relaciona a uma geração que nasceu já no século 21, a partir dos anos 2000. É uma geração que cresceu e estudou na era da internet, envolta com as tecnologias digitais e com a vida gravitando em torno de redes sociais.

Essa mesma geração tinha em torno de 12 anos de idade quando eclodiram no Brasil as grandes manifestações de 2013, gestadas no útero das redes sociais e que questionavam justamente a dimensão e funcionamento do estado brasileiro com suas conhecidas nefastas consequências: ineficiência e corrupção.

Certamente, a percepção de que o Estado é o Éden profissional não se relaciona somente com a estabilidade e os salários que, em muitos casos, é acima da média do mercado. Na cabeça dos jovens, é muito provável que prevaleça a leitura, que é correta, de que a iniciativa privada no Ceará ainda é muito frágil e dependente do próprio estado.

Um dos lados ruins dessa cultura de profissionais estatizados é que os melhores estudantes acabam se dedicado a concursos públicos, tornam-se burocratas bem pagos e deixam de lado o imenso potencial para produzir, seja empreendendo ou ocupando funções relevantes na iniciativa privada.

Além de Fortaleza, o RadarNE também fez a mesma pesquisa entre estudantes de Natal e Recife.

Veja o gráfico com o resultado